Empreendedores escrevem histórias de sucesso desde o primeiro negócio à expansão para outras áreas

Estado de Minas - MG (31/05/2015)

Crescer sem limites

Zulmira Furbino

Adilson Ladeira comprou a marca Hakuna Batata numa feira de empreendedorismo e hoje tem oito lojas

Sabe aquela história de uma empresa que nasceu e deu tão certo que inspirou seus fundadores a expandir os negócios para outras áreas de atuação? Parece que é coisa reservada ao time dos grandes, mas não é. O sucesso de pequenos empreendedores, que acertam na escolha do seu modelo de negócio, mostra que é possível crescer além das fronteiras iniciais. Para isso, é preciso boas ideias, organização e gestão. Foi o que ocorreu com o empresário Adilson Alves Ladeira, que estudava administração em Uberlândia quando compareceu a uma feira de empreendedorismo e negociou a marca de uma barraquinha que vendia batata frita no evento, transformando-a numa franquia de sucesso.

“Tudo foi dando certo. Comprei a marca Hakuna Batata e a levei para uma feira em Viçosa, na Zona da Mata. Em seguida, aluguei um ponto e há quatro anos montei a empresa. Há cerca de um ano e meio formatei a franquia. O primeiro interessado foi um primo, que abriu uma loja Hakuna Batata em Divinópolis. Fez muito sucesso”, explica Ladeira. Hoje, sua empresa tem oito lojas, das quais seis são franqueadas. Uma delas em BH, no Shopping Buritis. A mais recente acaba de ser aberta em Governador Valadares pela franqueada Gabriela Ferreira Duarte. “Em Valadares, nossa loja está competindo de igual para igual com as maiores redes de fastfood do mundo na praça de alimentação de um shopping (McDonalds, Giraffas, Subway, Espoleto)”, observa o empresário.

É fácil fazer uma ideia do avanço do negócio. Hoje, cada loja emprega entre 12 e 13 pessoas, o que significa que a marca nascida numa barraquinha da feira de fim de semestre de graduação em Uberlândia já emprega cerca de 100 pessoas. “Até hoje não sei de onde veio esse sucesso. Isso começou desde a primeira barraquinha. Desenvolvemos a empresa com o Sebrae. Começamos vendendo apenas batatas fritas, mas hoje o mix inclui almoço, porções, sanduíches e batatas recheadas, além de chope. Com a entrada das franquias, o faturamento da marca duplicou. “Estou negociando com pessoas interessadas em tornar-se franqueadas, mas o processo é demorado porque precisa de muita atenção. Prefiro fazer devagar”, explica.

Márcio Mascarenhas, fundador do Number One: rede nasceu a partir de um método de ensino elaborado por ele e hoje conta com 150 pontos de franquia
Os sócios Henrique Baldini Araújo e Marcelo Abreu também experimentam o gostinho do sucesso em Passos, no Sul de Minas. Os dois se conheceram quando estudavam em Ouro Preto e sonharam em montar um negócio. Em meados de 2012, abriram uma franquia de uma clínica de estética, mas o que ocorreu foi que a maneira de pensar dos dois empresários era mais avançada do que o padrão da própria franquia. “Nesse ponto, resolvemos comprar a marca e criamos a Laser Club”, lembra. Ao mesmo tempo, os dois passaram a estudar o mercado de academias. “Nos preparamos muito, fizemos um curso de gestão de academia e montamos a Club 21 no fim de março deste ano. Em um mês, a nova empresa faturou o que a Laser Club estava faturando em um ano”, comemora Araújo. Agora, os dois empreendedores já preparam outra “surpresa” para a cidade.

PENSAR FORA DA CAIXA “No mundo real, muitas vezes as empresas enfrentam dificuldades de mercado que as obrigam a pensar de maneira diferente. Empresas de sucesso conseguem antever o que o mercado deseja”, afirma Roberto Camper, professor de marketing da Fundação Getulio Vargas. Exemplo disso, segundo ele, é a experiência de O Boticário, que nos últimos três anos abriu quatro empresas, criando novas maneiras de se relacionar com os clientes. Para Márcio Mascarenhas, fundador e presidente da rede de franquias Number One, que nasceu a partir de um método de ensino elaborado por ele e que hoje conta com 150 pontos de franquia em 14 estados brasileiros, a expansão da experiência como empresário também pode ocorrer quando uma boa oportunidade bate à porta. “Quando Inhotim ainda não tinha sido aberto ao público, transformei a fazenda onde moro, em Brumadinho, na Pousada Fazenda Nova Estância, que foi inaugurada em 2004. Foi uma oportunidade, o cavalo estava arriado parado na porta”, brinca.

Para os interessados em abrir um novo negócio depois do sucesso do primeiro, ele recomenda cautela. “É preciso gostar da área do segundo empreendimento para não correr o risco de desfocar. No meu caso, o segundo negócio foi uma oportunidade e, além disso, tinha a pessoa certa para tocá-lo e isso pesou muito na decisão. Assim, não precisaria dar conta das duas coisas e elas não acabariam malfeitas”, alerta.